Quadrilha Festa Junina
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Arca do Tesouro
Meu cachorro dorme em media 18 horas por dia. Ele tem toda a comida preparada para ele, uma comida que não lhe custa nada. Sim, para o meu cachorro não vale a máxima “Não existe almoço grátis”.
Meu cachorro visita o veterinário uma vez ao ano ou quando necessário, se algum mal aparece, e toma todas as vacinas. Por isso, ele não paga nada, e nada é pedido a ele: ele não precisa do SUS.
Meu cachorro late muito, mas não morde, quer dizer, é bom sempre ficar de olho no bicho porque nunca se sabe.
Meu cachorro mora em uma boa vizinhança e numa casa muito maior do que necessita, mas não precisa limpar nada: se ele faz sujeira, alguém limpa. Aliás, ele escolhe os melhores lugares da casa para dormir e recebe essas acomodações completamente grátis.
Vive como um rei e não tem nenhuma despesa devido a isso. Todos os seus custos são pagos por pessoas que têm que sair de casa para ganhar a vida todo o dia.
Bem, eu andei pensando sobre isso e, de repente, veio a resposta: meu cachorro é do PT.
Em 29 de janeiro de 2010, a Navetta* recebeu e-mails de dois leitores/amigos com a piada acima. Irrestível voltar a publicá-la aqui...
Obrigada mais uma vez, Delicada e Antonio Romane.
Lucas Mendes fala de Indignados e Indignos
Contra quem e o quê? Contra as eleições do dia 22 de maio, contra a proibição de protestos, contra os políticos no poder e fora do poder, contra a austeridade e a corrupção. Enfim, uma indignação contra o estado das coisas. Passagem de ônibus e metro não estavam em jogo. E são caras em Madrid.
O movimento nasceu com vários nomes: "Los Indignados",
"Democracia Real Ya", "Tomar la Plaza", " Juventud Sin
Futuro", mas acabou conhecido como 15-M ou 15 de maio, dia do nascimento
dos protestos que, como no Brasil, não tinham pai. Nem mãe. Nem líderes. Nem
herdeiros e, menos ainda, planos a longo prazo.
As conexões e mobilizações, como no Brasil, foram pela mídia
social. Houve inspiração nos protestos da Tunísia e do Egito e o movimento
chegou a ser chamado de Primavera Espanhola. O nome não pegou, como ainda não
pegou no Brasil.
Mary Zaidan
O PT afônico
O PT nunca amargou desilusão tão profunda: as ruas se abarrotaram de gente sem que o partido as mobilizasse. Gente que, em sua maioria, prefere que a “onda vermelha” convocada, oportunista e extemporaneamente, pelo presidente da sigla Rui Falcão, fique longe.
Golpe duro para quem sempre se vangloriou da sintonia com as massas, de ser o senhor das vozes das ruas. Que se arvorava a ser quase, senão o único, na interlocução com os jovens. Que paga centenas de blogueiros, sabem-se lá quantos tuiteiros e facebuqueiros para falar bem do governo e rechaçar opiniões contrárias. Mas que não foi capaz de nem mesmo sentir o cheiro da mobilização, via redes sociais, que nas duas últimas semanas sacudiu o País de ponta a ponta.
É fato que nenhum partido, pouquíssimos políticos e só alguns analistas conseguiram traduzir, pelo menos parcialmente, o que está se passando. Mas, para o PT, estar divorciado disso, não ser o dono da voz, é quase mortal. Tanto que se expõe ao rechaço enfiando-se em manifestações que, pelo menos por enquanto, agremiação ou político algum é bem-vindo. Até porque os partidos políticos - mais preocupados com os seus umbigos e com a eleição seguinte - são alvos da grita.
Estar apartado disso é tão letal para o PT que fez seus dirigentes esquecerem os disfarces habituais. No olho do furação, enquanto o prédio da Prefeitura de São Paulo era vandalizado e o prefeito Fernando Haddad deixado nu, lançado à sua própria sorte, a presidente Dilma Rousseff reunia-se com o seu inventor Lula, o marqueteiro João Santana, o ministro Aloizio Mercadante e Rui Falcão. Na pauta, o PT e a manutenção do poder depois do estouro da boiada – da qual eles se imaginavam donos - falavam mais alto do que o País.
O petista Haddad abrigou-se ao lado do tucano Geraldo Alckmin e, juntos, anunciaram a suspensão do reajuste das tarifas de ônibus, metrô e trens. No dia seguinte, quinta-feira, ambos colheram uma manifestação em paz, que ocupou toda a Avenida Paulista. Dilma só falou ao País na sexta-feira, um dia depois de a “pequena minoria” - esse pleonasmo que deixou rastros de destruição em dezenas de centros urbanos - fazer estragos diante de seus olhos, importunando-a no Palácio do Planalto, ameaçando o Congresso Nacional, ateando fogo e quebrando os vidros do Palácio do Itamaraty.
Seu pronunciamento foi correto no tom, medido, bem escrito. João Santana teria acertado em tudo, não fosse o deslize costumeiro de, mais uma vez, colocar o PT antes do País; de anunciar um pacto nacional com a pauta da campanha eleitoral já desenhada para 2014. De amenizar, mas não eliminar a soberba.
Transcrito do Blog do Noblat de 23/06/2013
O PT nunca amargou desilusão tão profunda: as ruas se abarrotaram de gente sem que o partido as mobilizasse. Gente que, em sua maioria, prefere que a “onda vermelha” convocada, oportunista e extemporaneamente, pelo presidente da sigla Rui Falcão, fique longe.
Golpe duro para quem sempre se vangloriou da sintonia com as massas, de ser o senhor das vozes das ruas. Que se arvorava a ser quase, senão o único, na interlocução com os jovens. Que paga centenas de blogueiros, sabem-se lá quantos tuiteiros e facebuqueiros para falar bem do governo e rechaçar opiniões contrárias. Mas que não foi capaz de nem mesmo sentir o cheiro da mobilização, via redes sociais, que nas duas últimas semanas sacudiu o País de ponta a ponta.
É fato que nenhum partido, pouquíssimos políticos e só alguns analistas conseguiram traduzir, pelo menos parcialmente, o que está se passando. Mas, para o PT, estar divorciado disso, não ser o dono da voz, é quase mortal. Tanto que se expõe ao rechaço enfiando-se em manifestações que, pelo menos por enquanto, agremiação ou político algum é bem-vindo. Até porque os partidos políticos - mais preocupados com os seus umbigos e com a eleição seguinte - são alvos da grita.
Estar apartado disso é tão letal para o PT que fez seus dirigentes esquecerem os disfarces habituais. No olho do furação, enquanto o prédio da Prefeitura de São Paulo era vandalizado e o prefeito Fernando Haddad deixado nu, lançado à sua própria sorte, a presidente Dilma Rousseff reunia-se com o seu inventor Lula, o marqueteiro João Santana, o ministro Aloizio Mercadante e Rui Falcão. Na pauta, o PT e a manutenção do poder depois do estouro da boiada – da qual eles se imaginavam donos - falavam mais alto do que o País.
O petista Haddad abrigou-se ao lado do tucano Geraldo Alckmin e, juntos, anunciaram a suspensão do reajuste das tarifas de ônibus, metrô e trens. No dia seguinte, quinta-feira, ambos colheram uma manifestação em paz, que ocupou toda a Avenida Paulista. Dilma só falou ao País na sexta-feira, um dia depois de a “pequena minoria” - esse pleonasmo que deixou rastros de destruição em dezenas de centros urbanos - fazer estragos diante de seus olhos, importunando-a no Palácio do Planalto, ameaçando o Congresso Nacional, ateando fogo e quebrando os vidros do Palácio do Itamaraty.
Seu pronunciamento foi correto no tom, medido, bem escrito. João Santana teria acertado em tudo, não fosse o deslize costumeiro de, mais uma vez, colocar o PT antes do País; de anunciar um pacto nacional com a pauta da campanha eleitoral já desenhada para 2014. De amenizar, mas não eliminar a soberba.
Transcrito do Blog do Noblat de 23/06/2013
domingo, 23 de junho de 2013
Palavra da Coruja
No momento, quem me representa é meu neto de 17 anos.
Nelson Motta
(ao comentar o momento atual que vivemos em seu artigo "Mocidade Independente", publicado em O Globo, 21/06/2013)
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