FHC sobre crise: 'É fácil jogar pedra'
Ex-presidente afirma, na TV, que protestos ‘não têm foco claro’, mas classe média ‘está achatada’
Guilherme Waltenberg - O Estado de S. Paulo
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) evitou criticar o governo
federal diante das manifestações que tomaram conta do País. Segundo ele, o
governo "chamou para si" o problema. "É fácil jogar pedra nesse momento, mas sei
que a situação é difícil, é hora de compreender o momento", afirmou o
ex-presidente na noite de ontem, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV
Cultura.
(...) O ex-presidente disse ainda que os movimentos que tomaram as ruas do Brasil são consequência de uma crise da vida "cotidiana" da população, e não apenas de uma crise das instituições do País. "O que vemos é a falência dos órgãos públicos há muito tempo. Esses são os problemas que afetam as pessoas, é uma crise das vidas cotidianas, e não das instituições", disse.
A classe média, observou, "está achatada" e também sofre com os problemas na educação, nos transportes e na saúde. "As pessoas estão cansadas da vida como ela é nas grandes cidades." Fernando Henrique citou um artigo que produziu em 2011 sobre o que seriam as futuras demandas das "classes emergentes", com foco na qualidade de vida, para explicar parte da crise. "Não é a demanda sindical, do salário, é a de viver melhor. E outro componente é a decência. Há uma indignação em função do processo de corrupção que atingiu vários setores", avaliou. Para o ex-presidente, o atual momento é de "meditar sobre o que está acontecendo", ponderou. FHC afirmou, no entanto, que faltou o governo "conversar" com o País.
Ler a íntegra no Estadão
Fernando Henrique Cardoso é ex-presidente da República
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